Anvisa se omitiu em produção de remédio falso, diz delegado

 

Órgão demorou oito anos para informar polícia sobre ilegalidades
PUBLICADO EM 06/04/13 - 00h00
BERNARDO MIRANDA
Lucas Simões
Servidores da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) teriam envolvimento no esquema de adulteração de medicamentos da empresa mineira Hipolabor, sendo coniventes com as irregularidades nos remédios. A informação é do delegado responsável pelo inquérito, Denílson dos Reis, que encaminhou as informações ao Ministério Público Federal (MPF), órgão que tem o poder de fazer denúncias contra funcionários públicos federais. "É fato que o laboratório Hipolabor tinha preferências dentro da Anvisa", disse o delegado.
Gravações telefônicas durante a operação Panaceia teriam revelado indícios da colaboração de servidores. Desencadeada em 2011 pelo Ministério Público de Minas (MPMG), para investigar sonegação fiscal, fraude em licitações e adulteração de medicamentos por parte da Hipolabor, a operação revelou que a empresa, por meio de intermediários, negociava a liberação dos medicamentos com Rafael Barbosa, atual secretário de saúde do Distrito Federal e então diretor adjunto da Anvisa. Na época, o diretor geral do órgão era Agnelo Queiroz, atual governador do DF. O jornal "Estado de S. Paulo" chegou a divulgar que uma agenda da Hipolabor teria anotações de supostas doações para campanha de Agnelo ao governo em 2010.
O delegado não informou a identidade dos servidores, não deu detalhes sobre como funcionaria o esquema nem confirmou se políticos do Distrito Federal estariam envolvidos com o crime. Reis disse apenas que a Anvisa sabia das irregularidades na Hipolabor desde 2003, mas só comunicou a Polícia Civil em 2011 - Agnelo e sua equipe deixaram a Anvisa em 2010. "Isso atrasou o nosso trabalho porque demoramos a receber informações de crimes que aconteciam há muito tempo", afirmou.
No ano passado, a Anvisa determinou uma auditoria na Hipolabor, mas não divulgou o resultado dos trabalhos. Nenhum representante do MPF foi encontrado para falar se há alguma investigação em curso.
A assessoria da Hipolabor informou, em nota, que os problemas "foram discutidos em processo administrativo no âmbito da Anvisa, única sede competente para discussões técnicas sobre fabricação de medicamentos". A empresa também afirma que os medicamentos questionados já não são mais produzidos e que nunca fez doações para Agnelo Queiroz.
A reportagem não conseguiu contato com Queiroz e Barbosa. Em 2011, o porta-voz do governo do Distrito Federal, Hugo Braga, disse que a acusação era baseada em uma história "sem pé nem cabeça". A Anvisa não comentou as denúncias e disse que todas as informações foram repassadas ao MPFÓrgão demorou oito anos para informar polícia sobre ilegalidadeServidores da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) teriam envolvimento no esquema de adulteração de medicamentos da empresa mineira Hipolabor, sendo coniventes com as irregularidades nos remédios. A informação é do delegado responsável pelo inquérito, Denílson dos Reis, que encaminhou as informações ao Ministério Público Federal (MPF), órgão que tem o poder de fazer denúncias contra funcionários públicos federais. "É fato que o laboratório Hipolabor tinha preferências dentro da Anvisa", disse o delegado. 

Servidores da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) teriam envolvimento no esquema de adulteração de medicamentos da empresa mineira Hipolabor, sendo coniventes com as irregularidades nos remédios. A informação é do delegado responsável pelo inquérito, Denílson dos Reis, que encaminhou as informações ao Ministério Público Federal (MPF), órgão que tem o poder de fazer denúncias contra funcionários públicos federais. "É fato que o laboratório Hipolabor tinha preferências dentro da Anvisa", disse o delegado. 

Gravações telefônicas durante a operação Panaceia teriam revelado indícios da colaboração de servidores. Desencadeada em 2011 pelo Ministério Público de Minas (MPMG), para investigar sonegação fiscal, fraude em licitações e adulteração de medicamentos por parte da Hipolabor, a operação revelou que a empresa, por meio de intermediários, negociava a liberação dos medicamentos com Rafael Barbosa, atual secretário de saúde do Distrito Federal e então diretor adjunto da Anvisa. Na época, o diretor geral do órgão era Agnelo Queiroz, atual governador do DF. O jornal "Estado de S. Paulo" chegou a divulgar que uma agenda da Hipolabor teria anotações de supostas doações para campanha de Agnelo ao governo em 2010.

O delegado não informou a identidade dos servidores, não deu detalhes sobre como funcionaria o esquema nem confirmou se políticos do Distrito Federal estariam envolvidos com o crime. Reis disse apenas que a Anvisa sabia das irregularidades na Hipolabor desde 2003, mas só comunicou a Polícia Civil em 2011 - Agnelo e sua equipe deixaram a Anvisa em 2010. "Isso atrasou o nosso trabalho porque demoramos a receber informações de crimes que aconteciam há muito tempo", afirmou.

No ano passado, a Anvisa determinou uma auditoria na Hipolabor, mas não divulgou o resultado dos trabalhos. Nenhum representante do MPF foi encontrado para falar se há alguma investigação em curso.

A assessoria da Hipolabor informou, em nota, que os problemas "foram discutidos em processo administrativo no âmbito da Anvisa, única sede competente para discussões técnicas sobre fabricação de medicamentos". A empresa também afirma que os medicamentos questionados já não são mais produzidos e que nunca fez doações para Agnelo Queiroz.

 A reportagem não conseguiu contato com Queiroz e Barbosa. Em 2011, o porta-voz do governo do Distrito Federal, Hugo Braga, disse que a acusação era baseada em uma história "sem pé nem cabeça". A Anvisa não comentou as denúncias e disse que todas as informações foram repassadas ao MPF. 

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Bernardo Miranda e Lucas Simões

Publicado em 06/04/13

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