4. Tratamento farmacológico da HAP

Segundo os Consensos nacionais e internacionais para o tratamento da HAP, a abordagem terapêutica divide-se em duas fases: tratamento dos fenômenos associados e terapias-alvo (dilatação e anti-remodelação).4

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O tratamento dos fenômenos associados tem como objetivo único a redução dos sintomas, sem efeitos sobre a progressão da doença. Consiste no uso de anticoagulantes, diuréticos, oxigenoterapia e, em alguns casos, digitálicos como a digoxina. 4

Já as terapias-alvo visam impactar positivamente no curso da doença, promover melhora na qualidade de vida, no tempo de piora clínica e aumentar a sobrevida dos pacientes com HAP. São representadas pelas seguintes classes terapêuticas: 4

  • Bloqueadores de canal de cálcio (nifedipina e diltiazem)
  • Inibidores da fosfodiesterase- 5 (sildenafil)
  • Derivados da prostaciclina (epoprostenol, treprostinil, iloprost)
  • Receptores de endotelina (bosentana, sitaxsentan,ambrisentan)

TRATAMENTO FARMACOLÓGICO NO BRASIL

Para adaptar o algoritmo de tratamento da HAP aceito internacionalmente para a realidade brasileira é preciso considerar, além do nível de evidência quanto à eficácia, fatores como a aprovação dos medicamentos pela autoridade sanitária e a sua disponibilidade no mercado nacional.4

No Brasil, possuem aprovação pela ANVISA e estão disponíveis comercialmente:

  1. Bloqueadores de canais de cálcio (anlodipina, diltiazem, nifedipina): são recomendáveis para uma reduzida e limitada parcela dos pacientes com HAP (aproximadamente 10%), que apresentam resposta positiva ao teste agudo de vasorreatividade vascular positivo e são contra-indicados para todos os demais pacientes com a doença (90% dos portadores de HAP);
  2. Bosentana (antagonista do receptor de endotelina): primeira linha de tratamento
  3. Sildenafil (inibidor da fosfodiesterase-5): segunda linha de tratamento.

O iloprost (análogo da prostaciclina), recomendado principalmente aos pacientes em classe funcional IV, apesar de possuir registro na ANVISA não é comercializado no Brasil, conforme informado pelo fabricante. Sendo assim, a única opção para o uso de iloprost no Brasil seria através de sua importação.

 Segundo a legislação sanitária brasileira, para a importação de um medicamento é necessário que este tenha registro no país. No entanto, o registro do iloprost no Brasil está previsto para expirar em setembro deste ano e o detentor do referido registro até o momento não solicitou sua renovação. Sem o registro, o medicamento não pode ser importado, e, portanto, revela-se uma opção não disponível para a realidade brasileira atual.