Dependência e autonomia no setor farmacêutico um estudo da CEME.

De Geraldo Lucchesi:

A dissertação analisa a institucionalização e a evolução da CEME, principalmente no que se refere à sua função de formular e coordenar uma política de medicamentos para o país expressa no Plano Diretor de Medicamentos, em 1973. 0 processo de luta pela implementação das idéias do Plano Diretor, revelou as posições divergentes de segmentos da burocracia estatal acerca de uma política autonomista para o setor farmacêutico. Esse processo esteve influenciado pela fragmentação do aparelho estatal, pelo tipo de suas relações com o capital internacional, pelas contradições e limites do regime autoritário burocrático, pelos interesses específicos no interior da burocracia estatal, e pelas características do pacto de transição à democracia. Algumas questões estruturais próprias do Estado capitalista, como a seletividade e as funções das políticas sociais, também são colocadas como condicionantes do processo. Embora não tivessem transformando-se em políticas globais e consistentes para o setor, as idéias autonomistas do Plano contribuíram para o aumento da produção interna de fármacos e para o estabelecimento de uma tendência em direção a reversão da dependência externa.